Estacionar na ladeira: quais são os cuidados que você precisa tomar com pneus e câmbio

Engatar a marcha ou virar a roda do carro: o que fazer na hora de parar o veículo na subida?

Se você já parou o carro em alguma descida íngreme, já deve ter ouvido alguém dizer alguma dessas frases: puxe o freio (por motivos óbvios), vire a roda, deixe a primeira marcha engatada.

Veículos mais antigos tinham sistemas mais simples e, vez ou outra, mais falhos também, então somar esses “breques” era importante para não ver o carro descer ladeira a baixo.

Mas isso pode de alguma maneira danificar algumas peças, como freios, pneus e suspensão?

Para o especialista técnico da Bosch, Diego Riquero Tournier, existem alguns pontos a serem lembrados nessa situação. Em primeiro lugar, o sistema de freio de mão mecânico, mais comum, foi desenhado para suportar todo o peso do carro. Portanto, ele é a primeira ferramenta essencial na hora de estacionar o veículo.

“Seja qual for o modelo, antigo ou moderno, tem o freio de estacionamento. O fato de virar a roda do meio fio para a calçada não é um problema. Não tem uma contraindicação contra virar a roda, o problema é usar a roda como elemento de trava mecânica do veículo”, afirma.

“A suspensão, mesmo na descida, foi feita para suportar e distribuir o peso do carro uniformemente no sistema. Não vai haver desbalanço mesmo que o carro esteja virado”.

O que acaba acontecendo é que o motorista encosta a roda e a utiliza como calço, o que acaba deformando o pneu. “Por mais que depois se aperte o botão ou puxe o freio mecânico, o primeiro elemento que está sustentando essa carga seria a roda dianteira”, diz Tournier.

Isso sobrecarrega uma peça que não foi feita para suportar o peso do carro. “O dano mais provável é a deformação do pneu, ao longo do tempo, e também a possibilidade de deformar o terminal de direção. Não é plausível de acontecer acidente, mas é o bastante para modificar a geometria de direção”.

Mesmo veículos automáticos, com o botão de parada, não sofrem grandes problemas nessa situação. Diego afirma que o sistema que segura o peso do carro é o mesmo que freia, portanto não há grandes motivos para preocupação.

Mas os especialistas concordam: não há problemas em deixar o carro com o pneu virado. O professor Marcelo Alves, do departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, ainda acrescenta uma situação de risco para estar atento nessa situação.

“Em princípio, o veículo pode ficar parado com as rodas esterçadas. A questão é o tempo que vai ficar parado. Uma hora ou duas horas, isso não é problema, o problema é o veículo parar por muito tempo, em uma questão de meses”, explica.

Os pneus possuem uma malha de aço interna e um longo período parado pode ocasionar uma lesão nessa malha, que gera bolhas e desestabiliza o veículo.

Fonte: Revista Auto Esporte.

Entenda como funciona e quais são os principais custos envolvidos na manutenção do sistema de suspensão do carro

O que é suspensão?

Suspensão é o conjunto de peças que sustenta o veículo. O objetivo é amortecer as oscilações e imperfeições do asfalto. Os amortecedores trabalham em conjunto com molas, pivôs, buchas e barras de sustentação para que os efeitos de buracos e valetas, por exemplo, sejam minimizados.

Qual é o tipo mais comum de suspensão?

Existem vários tipos de suspensão e de mola. A suspensão que está na maioria dos carros nacionais é a Mcpherson, que possui maior altura, molas helicoidais (aquelas com cara de mola mesmo) e amortecedores telescópicos. Geralmente, esse tipo é usado no eixo dianteiro.

Quanto custa em média?

Cada peça tem seu preço e a variação é alta, já que o custo depende do valor do carro. O amortecedor pode custar de R$ 80 a R$ 600. Cada mola pode custar de R$ 50 a R$ 150. Pivôs e buchas variam de R$ 100 a R$ 250 reais. Vale lembrar que os elementos nunca são reparados, sempre trocados.

Quando a suspensão deve ser trocada?

Se não ocorrer nada de anormal, como uma batida, os componentes da suspensão sujeitos a desgaste devem ser trocados entre os 50 e os 70 mil km rodados. Tudo depende da região em que o carro roda: se houver mais buracos, a suspensão será trocada mais cedo. O ideal é fazer as revisões no tempo certo para que os pivôs, buchas e amortecedores sejam examinando a cada 20 mil km rodados. Para identificar problemas, faça o alinhamento de direção também.

Quais são os problemas mais frequentes? Quanto tempo demora a consertar?

Desgaste dos elementos de ligação, como buchas de borrachas quebradas ou ressecadas. Se as peças não forem importadas, o conserto demora apenas um dia.

Qual tipo de cuidado é preciso ter para que a suspensão dure mais?

É essencial passar por buracos e valetas em velocidade baixa. De acordo com Rubens Venosa, da oficina Motor Max, a suspensão vai durar mais se o motorista passar “de lado” por uma valeta grande ao invés de passar direto com as duas rodas. “O pior é quando as pessoas se assustam e brecam dentro da valeta. Breque sempre antes”, afirma. O peso também influencia na vida útil da suspensão. Quanto mais peso o motorista carregar, mais rápido será preciso trocar as peças.

Quais são os sintomas que o motorista percebe quando as peças da suspensão precisam ser trocadas?

Os principais sintomas são ruídos ao passar em buracos ou ao fazer curvas e pneus gastos. Segundo Walter, da Garage WEB, cantada de pneu sem necessidade e barulho de coisa solta são sinais de suspensão que precisa de manutenção. Em casos extremos, há vazamento do óleo do amortecedor, que não chega a escorrer no chão, mas fica visível a olho nu.

Quais são os riscos de utilizar o carro com a suspensão gasta?

O carro irá “sofrer” mais quando passar por um buraco, por exemplo, o que pode quebrar outras peças importantes. O motorista também pode perder a direção do veículo e, em casos mais extremos, a roda pode até soltar e cair.

Não gosto da suspensão do meu carro. Posso trocá-la?

Sim, mas não é recomendável. “Eu não faço e não recomendo, já que muda as características do carro. É arriscado alterar aquilo que foi estudado por tanto tempo”, afirma Rubens.

Vale a pena comprar as peças separadas?

Depende. Quando o mecânico compra a peça, ele cobra em média 30% a mais do valor gasto no item. O problema é que, o motorista pode perder a garantia do serviço caso a peça quebre novamente.

https://revistaautoesporte.globo.com/Servico/autoajuda/noticia/2015/04/autoajuda-suspensao.htmlFonte: Revista Auto Esporte.