Como frear o carro de forma segura e eficiente

Instrutores de direção dão dicas práticas para um dos momentos cruciais do ato de dirigir

Parar o carro de forma segura é um dos atos mais importantes do ato de dirigir – afinal, qualquer falha nesse momento tem o potencial de culminar em um acidente. Além da manutenção regular do sistema de freios do veículo (verificação do nível do fluido, checagem e troca de pastilhas e discos dentro das especificações do fabricante), as atitudes do motorista também tem influência direta na eficiência nas frenagens.

Para reunir as dicas a seguir, conversamos com dois especialistas: Rodrigo Hanashiro, piloto de competição e fundador e instrutor da 2Drive, que ministra cursos e treinamentos de direção; e Roberto Manzini, fundador do Roberto Manzini Centro Pilotagem, que desenvolve cursos de pilotagem esportiva e direção defensiva há 20 anos.

Dicas básicas – A primeira dica vem antes de bater na chave: sente-se na posição correta. “Caso contrário, o motorista não conseguirá frear com a máxima eficiência”, explica Hanashiro. O tronco precisa estar ereto e, para medir a distância ideal do banco, o motorista deve, apoiado no encosto, conseguir apoiar os pulsos na parte superior do volante.

Outra atitude fundamental é manter uma distância segura em relação ao carro à frente. “Guarde uma margem para imprevistos. E, em frenagens normais, como um semáforo que fechou à frente, pise no pedal de forma suave e vá reduzindo as marchas”, recomenda Manzini. Também é preciso ficar atento às situações que reduzem a aderência do piso e aumentam a distância de frenagem – como ondulações, chuva ou óleo. “Ao se deparar com uma situação dessas, antecipe-se e reduza a velocidade.”

Eletrônica – O principal recurso eletrônico que ajuda o motorista nas frenagens é o sistema ABS, que impede o travamento das rodas e ajuda a reduzir a distância de frenagem. Ao detectar essa situação, o ABS libera o disco de freio por milissegundos e o pinça novamente em seguida.

Mas, para o ABS ser eficaz, o motorista precisa fazer a sua parte. “É preciso que o pedal do freio seja pressionado firmemente, até o veículo parar por completo, alerta Hanashiro. “O ABS também permite fazer o desvio de trajetória durante a frenagem, algo impossível com as rodas travadas.”

Jamais alivie o pedal ao ouvir estalos ou sentir vibração no pedal – são reações normais no funcionamento do sistema. Apesar de obrigatório nos carros brasileiros desde 2014, os dois instrutores comentam que muitos motoristas ainda não o conhecem.

Caso o veículo não tenha ABS, ao sentir que as rodas travaram, o motorista deve aliviar a pressão por breves instantes, simulando o que faz a eletrônica. Por isso, em um primeiro contato, é essencial saber se um carro conta ou não com o ABS, já que o procedimento em caso de uma frenagem de emergência é totalmente diferente.

Na serra – Por fim, é necessário cuidado extra em longas descidas, nas quais se deve utilizar o freio motor. Em carros manuais, use a mesma marcha que usaria para subir o trecho. Nos automáticos, lance mão das opções de marcha reduzida ou do seletor de trocas manuais. “É perigoso descer vários quilômetros segurando o carro só no freio, pois eles podem superaquecer e perder a eficiência”, diz Manzini. “É importante que o dono entenda como usar os recursos da transmissão do seu carro.”

 

Fonte: Revista Auto Esporte.

Pneu também tem vida útil. Saiba quando substituir o do seu carro

Consegue verificar se o pneu do carro está na validade? Técnicos respondem quanto tempo e quando fazer as manutenções necessárias

Responda rápido: você sabe se o pneu do seu carro ainda está dentro da validade? Como você faria essa checagem? Pela marca TWI na banda lateral, pela validade carimbada no lado de dentro ou pela garantia do produto?

Com a polêmica dos Run-Flat, ressurgiu a discussão da vida útil dos pneus. Por isso, conversamos com dois técnicos para esclarecer quando trocar e como ter os cuidados básicos para conservá-los em bom estado.

Devo seguir a data de validade?

Muitas pessoas confundem validade e tempo de uso. Segundo Donizete Bonacini, especialista em pneus, “não tem validade, e sim garantia”. É convenção dos fabricantes oferecerem 5 anos de cobertura a partir da data de fabricação, ou da emissão da nota.

Ou seja, se ocorrer algum problema dentro desse período, a empresa revendedora do pneu será responsável por dizer se houve falha de fabricação ou mau uso pelo condutor.

Data de fabricação é um código

E onde fica a data de fabricação? Carimbada na parte externa do pneu, próximo ao DOT. Os últimos 4 algarismos indicam a semana e o ano em que o pneu foi produzido. Exemplo: se os últimos números são 3416 significa que a fabricação foi na 34ª semana de 2016.

Outra forma mais simples de validar a garantia do pneu é através da nota fiscal. A partir da emissão da nota fiscal, conta-se 5 anos de cobertura. Por isso, a importância de pedir e guardar a nota fiscal na compra do produto.

Uso tem influência

Fábio Magliano, gerente de Produtos Car e Motorsport da Pirelli para a América Latina, afirma que a vida útil do pneu é bastante relativa, e varia de acordo com o tipo de uso. Para pneus de carros de performance, com índices H, Y e ZR (que suportam velocidades acima de 210 km/h), o recomendável é troca em 5 anos, já que pedem maior aderência.

Em carros populares, a recomendação sobe para 10 anos, mas isso quando o produto estiver bem conservado e com balanceamento, alinhamento e calibragem em dia.

Qualquer anormalidade, melhor conferir seu estado em uma oficina.

O alinhamento de direção, balanceamento de rodas e o rodízio é recomendável a cada 10 mil quilômetros rodados, pelo menos. “Ou se o condutor tive um impacto muito grande na roda. Mesmo que o motorista não considere que o volante está torto ou puxando para um lado, é sempre bom verificar em um mecânico de confiança, pois o pneu pode ter um desgaste irregular”, reitera Donizete.

Já a calibragem deve ser feita em média de 20 em 20 dias, com pneus frios. Para isso, dê preferência ao serviço feito próximo ao trabalho ou à residência e sempre no mesmo posto de confiança, dependendo da mangueira ou do calibrador, pode haver diferença no resultado.

Caso sinta que há algo de errado com o pneu, mesmo dentro da garantia dos 5 anos, a dica é ir à uma revenda especial ou a um especialista para melhor avaliação, independente de quanto tem de suco profundo ou se ainda aparência de novo. “O carro pode ter sofrido um problema na lateral que pode comprometer a validade do pneu”, diz Magliano.

Estepe: mesmo reservado, precisa ser trocado

Vale lembrar que o estepe também deve ser trocado em no máximo em 10 anos, já que “mesmo sem ter rodado 1 metro, a borracha passa por um processo natural de envelhecimento”, adianta Fábio. Isso serve se o pneu reserva for o tradicional e não temporário, como equipado nos novos modelos de automóveis.

Vale comprar pneus usados?

Ambos os especialistas não recomendam sob nenhuma circunstância a compra de pneus usados. Isso porque além do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) não emitir laudo, no caso dos pneus remolde a banda de rodagem é nova, mas a carcaça é antiga.

Pneu careca pode dar prejuízo

Além disso, é responsabilidade do motorista verificar se pneu está “careca”. Isso significa que o pneu está liso e que o sulco está abaixo de 1,6 mm. Caso o agente de trânsito fiscalize o estado dos pneus e verifique que o TWI (Tread Wear Indicator, ou Indicação de Desgaste de Banda) esteja no nível da banda de rodagem, o motorista pode ser multado. A regra vale também para o estepe. A penalidade para quem desobedecer a lei é de cinco pontos na carteira e mais multa de R$ 195,23.

 

Fonte: Auto Esporte.