Pneus mais largos sempre oferecem mais aderência?

Maior área de contato melhora dirigibilidade, mas também deixa o veículo mais sensível a aquaplanagem e afeta o consumo

 

Pneus mais largos sempre oferecem mais aderência? – Miguel Gimenes, São Paulo (SP)

Nesse caso, tamanho não necessariamente é documento. “Quanto mais largo um pneu, maior a área de contato com o solo e maior a aderência, via de regra. Mas, para essa afirmação ser verdadeira, é preciso considerar que ambos os pneus tenham a mesma escultura, composto e estrutura interna”, diz Flavio Santana, gerente de marketing da Michelin.

Ou seja: um pneu de uso misto com 21,5 cm de largura pode ser menos aderente que um de 19,5 cm feito para rodar apenas no asfalto. E pneus mais largos têm grande desvantagem em situações onde o piso está com água acumulada.

“O pneu mais largo é mais sensível a aquaplanagem que um pneu mais estreito, apresentando, portanto, nesta situação específica, uma pior aderência que um pneu mais estreito.”

Além disso, as vantagens de pneus mais largos só são notadas nos limites de aderência. Não há vantagens nas situações corriqueiras, como frenagens e curvas feitas abaixo da velocidade que faz os pneus desgarrarem.

Devido à maior área de contato, há também desvantagens, como aumento do consumo de combustível e piora na aerodinâmica.

Fonte: Quatro Rodas.

Como escolher um pneu a partir do índice treadwear

Já ouviu falar no índice treadwear? Ele tem relação direta com a economia e pode ajudá-lo a escolher o melhor pneu para seu carro

Apesar do nome complicado, o conceito do treadwear é muito mais simples do que parece. Trata-se de um número que vai na lateral do pneu e indica a velocidade com que ele se desgasta. É uma avaliação comparativa baseada na taxa com que esse pneu perde borracha quando testado sob condições controladas, em um circuito especificado pelo governo americano.

O treadwear é um índice que é indicado normalmente em pneus que possam ser exportados para os Estados Unidos. Ele varia de 60 a 620, tendo 100 como valor de referência. Quanto menor o número, mais rapidamente ele vai se gastar.

Um exemplo: um pneu classificado com nota 200 teria um desgaste duas vezes menor na pista de testes do que um modelo com nota 100. O desempenho relativo dos pneus depende das suas condições reais de utilização, mas pode divergir muito da norma por causa de fatores externos aos do teste, como hábitos de direção do motorista, uso comercial ou particular e tipo do piso em que ele roda.

“A durabilidade de um pneu é influenciada por diversos fatores, como calibragem correta, com a pressão que consta no manual do proprietário, manutenção do veículo, alinhamento e balanceamento do conjunto roda/pneu e condições das rodovias, entre outros”, explica Vinícius Sá, diretor de Produto da Goodyear América Latina para a linha Passeio.

“Dependendo das condições de uso, um pneu com treadwear inferior a outro poderá até ter um desempenho melhor”, diz José Carlos Quadrelli, gerente de engenharia de vendas da Bridgestone.

Também deve entrar nessa equação o objetivo do motorista. “Pneu com treadwear mais alto privilegia a durabilidade, ou seja, é feito para durar mais, portanto costuma equipar carros populares. Por outro lado, pneu para esportivos, por privilegiar outras características que não o desgaste, tem valores mais baixos.” Assim, cabe ao consumidor escolher o que quer: um pneu que dure mais ou que tenha mais aderência.

Para verificar se o pneu está careca, há o Tread Wear Indicator (TWI), que são ressaltos da borracha vistos dentro dos sulcos, em geral de 1,6 milímetro de altura. Quando o TWI está alinhado com o restante da banda de rodagem (foto no alto da matéria, à direita), é sinal de que chegou a hora de trocar o pneu. Isso porque, nessa situação, aumenta muito o risco de aquaplanagem. Se não for trocado, pode ainda render numa blitz multa de R$ 195,23 e 5 pontos na habilitação.

Fonte: Quatro Rodas.